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Brasilien und Deutschland - Auf der anderen Seite ist das Gras viel grüner

O próximo jogo de nosso Catado Nacional™ vai ser contra a Alemanha, um país profundamente sem graça para a comédia internética porque não só investe em educação e saúde como também tem três títulos de Copa do Mundo.

Tive o prazer de conversar com alguns alemães e eles se mostraram mais empolgados com o jogo do Maraca contra a França do que com a possibilidade de título.

Será que os caras estavam sendo muito humildes? A seleção deles é uma das mais bem comentadas da Copa. Eu mesmo coloquei-os como campeões no meu bolão. O Bild já listou os motivos para o quarto título mundial (foi este jornal também que desconsiderou o Brasil ser o campeão com outros sete motivos). Qualé, lemão?

— Nosso técnico é burro. Coloca o Lahm para jogar errado. Hoje ele colocou o Khedira. Ele ficou louco?
— Mas vocês têm um bom ataque. Tem o Muller, o Gotze, o Ozil, o Kroos.
— Vocês têm (tínhamos até o fechamento do diálogo. RIP) o Neymar (in memoriam). Por que vocês pegam tanto no pé do tal de Freud?
— Freud?
— É, o atacante.
— Fred.
— Isso.
— Ele não consegue marcar gols.
— Mas vocês são favoritos. Espero que seja um grande jogo entre as nossas seleções. Na boa, eu estou feliz porque estou realizando um sonho de infância: ver a Alemanha jogar no Maracanã.
— Quem diria! Dizem que o Maracanã não é mais o mesmo. Essa reforma descaracterizou-o. Meu tio, que esteve lá no maior episódio deste estádio (a Invasão Corintiana) não se conforma.
— Ele ainda tem a magia. (E saiu para pegar outra cerveja).

Se você está achando pouco, um amigo que estava em Berlim durante as manifestações de junho de 2013 comentou que um alemão olhava fascinado para as notícias vindas do Brasil, fechando tudo com a frase:

— Eu queria que nós alemães fôssemos tão politizados quanto vocês brasileiros.

Conclusão: a grama do vizinho é sempre mais verde. Em alemão também. E vamos sair para pegar outra cerveja, meu povo.

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Dá para resumir a Copa até aqui?

Quase um mês depois do evento esportivo ter começado no país, eu consigo um tempo para escrever algumas linhas sobre o que vi por aí. A Copa do Mundo, além de um grande entretenimento, também foi um momento para aprender algo.

1) As estatísticas comportamentais se mostraram corretas…

Eu também protestei em julho do ano passado. Eu também não dei a mínima para a Copa das Confederações. Mas também sabia que não seria igual durante a Copa do Mundo porque, como se diz no futebol, "jogo é jogo, treino é treino".

Comentei diversas vezes que o ritmo de descontentamento com um evento do porte da Copa do Mundo por aqui se comportava de maneira semelhante com o descontentamento inglês em Londres 2012, alemão na Copa 2006 e de outros eventos diversos: nível alto de reprovação até a véspera do evento, nível alto de aprovação no fim dele.

Deu no que deu: a Copa é um sucesso. As pessoas já estão pedindo autógrafo pro BLATTER. #vaiveno.

2) As estatísticas esportivas, nem tanto.

Quem diria que teríamos Costa Rica e Colômbia nas quartas-de-final, eliminando antes Itália, Uruguai e Inglaterra? Quem diria que a Espanha não passaria da primeira fase?

A única seleção que confirma a minha previsão inicial é a Alemanha. E mesmo assim com incrível dificuldade contra a Argélia. Ou seja: não existe ciência no palpite esportivo, mesmo. :)

3) Facada no baço? A diversão está na rua

Até agora, só tive bons momentos nas chamadas FIFA Fan Fests, o evento popular oficial da Copa. Sem filas para banheiros, cerveja ou refrigerantes, com gringos animados e brasileiros festejando. Tudo junto e misturado.

Foi mal, mas pagar 300 a 1000 reais para ter o mesmo conforto e um décimo dessa diversão, cara yellow block, me parece ser a decisão mais imbecil da Copa do Mundo.

4) Tanto é verdade que a diversão está na rua que a festa no estádio é bem xoxa

Ok, eu achava que era a “elite branca” que não sabia fazer festa. Depois deixei este discurso de lado. Achei que era a falta de torcidas que já fazem coro no estádio há mais tempo (tá faltando Corinthians nessa Copa).

Mas fui assistir a Alemanha e Argélia no estádio. Duas das torcidas que a televisão mostra como mais animadas. E sabe o que constatei? Elas também passam a maior parte do jogo caladas. Empurram aqui e ali. Mas somente se inflamam em lances perigosos ou na hora do hino. E olha que eles não estavam em número pequeno:

Pode esquecer apoio mais forte nos zero-a-zeros que persistem nos jogos das oitavas-de-final. Pelo bem da festa, é bom os Freds começarem a acertar a forma mais vezes.

5) Unificação sulamericana: possível

Certa vez um europeu comentou comigo que achava estranho os brasileiros e os povos sulamericanos, em geral, conhecerem muito pouco os seus vizinhos. Ainda que possamos argumentar que o Brasil tem dimensões continentais que inviabilizem um rolê em outro país todos os fins de semana, é realmente verdade que a integração ainda engatinha.

Mas quando ouço que 100.000 argentinos foram para Porto Alegre para prestigiar sua seleção e que pelo menos 70.000 continuaram até São Paulo, não tem como não afirmar que a Copa ajuda - e muito - a olharmos mais para os vizinhos.

Claro que existem problemas. Mas 80 torcedores mal-intencionados no Maracanã ou alguns grupos com o pensamento tacanho de vir para arrumar briga não podem apagar a beleza que é ter por aqui todo o tipo de gente.

A própria rivalidade tão incentivada pela imprensa esportiva e por comerciais de televisão fica bem menor quando consideramos que os amigos chilenos, argentinos, uruguaios, colombianos e equatorianos que vieram - fora aqueles que vieram mesmo sem seleção para torcer - são sim parte fundamental no clima maneiro de Copa que se instalou no Brasil.

Isso faz lembrar o dia em que desembarquei em Buenos Aires devidamente uniformizado com a camisa do Corinthians horas depois do time ter conseguido se classificar para a final da Libertadores pela primeira vez. A final seria contra o Boca Juniors, o mais popular time portenho. Mesmo sendo o clubismo mais fanático que o ufanismo por lá também, fui muito bem recebido por todos os argentinos que fui conhecendo, todos convidando a ficar para tentar assistir ao jogo no estádio.

A gente precisa mais disso e menos de piadas infames contra argentinos.

E que venha a Copa América 2015!

6) A gente não esqueceu dos problemas

A Copa não elimina os problemas de antes. A polícia continua truculenta, a água vai acabar, as obras de mobilidade urbana poderiam ser melhores, os privilégios para empresas de grande porte poderiam ser menores. A classe política está sob pressão, já que o ano é de eleições. Os protestos devem continuar.

Vejo uma certa vantagem no momento: há menor risco de um grupo político capitalizar a Copa a seu favor. E o fato da Copa ter sido um sucesso até aqui também não permite lucros a quem especulou em cima de seu fracasso. Isso é bom. Futebol não resolve a administração de um país.

Enfim, acho que é isso. E você, o que está achando da Copa?

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Virada Cultural ou Gastronômica?

Não vai ser outro capítulo do Guia Yassuda porque… Não sei, não tenho um bom motivo.

Para quem não acompanhou minhas mazelas no Twitter ou no Instagram, aconteceu no último sábado a Virada Cultural em São Paulo. Macaco velho de batalha, este pitaqueiro que vos fala esteve em quase todas as edições das festividades paulistanas desde a sua primeira edição, lá em 2005.

É verdade que o joelho e o fígado já não são mais os mesmos para aguentar a madrugada de shows e atividades no centro da cidade e digerir litros de vinho químico vendido por ambulantes que eram enquadrados em todas as esquinas do evento. Faço do momento uma oportunidade para descobrir e reencontrar boa música e, por que não, boa comida.

Meu roteiro durante a virada:

1) Jazz na Kombi

Reunião de bandolas de jazz que tocariam no Jazz nos Fundos, o evento contou com a incrível infra-estrutura de uma Kombi com alguns amplificadores, insuficientes para competir com o palco da Viradinha que comportava, naquele momento, belos espetáculos circenses. Mas eu tinha que dar um voto de crédito para quem já havia garantido a diversão uns meses antes:

2) Stanley Jordan e Dudu Lima Trio

Não sou exatamente um cara letrado no jazz, mas sabia que encontraria uma referência na guitarra neste grande show. Impecável. A única coisa que atrapalhava eram os gritos de “olha a cerveja! Olha o vinho”. Nada que estragasse a experiência.

3) Tempurá (barracas da Praça da República)

Sempre fico em duvida entre um tempurá das barraquinhas ou um acarajé. Em 2014, a decisão pendeu para minhas raízes japonesas. O delicioso quitute saiu por R$ 7,00 e foi apenas o primeiro de muitos na noite.

4) Otto canta “Canta, canta, minha gente” de Martinho da Vila

Disparado o evento mais hipster de toda a Virada Cultural. Reuniu toda a sorte de comunicólogos no público e é com certeza o show com mais fotos no Instagram. Até eu coloquei uma. Otto, este cantor carismático que sempre aparece depois de suas apresentações para tomar umas e outras ali no Parlapatões, agradou com o sambinha proposto. Achei agradável, mas não mais do que encontrar a sua ex-mulher no camarote do Planeta Terra. Este sim é que é um momento agradabilíssimo.

PS: O grande momento da noite foi encontrar neste show Alexandre dos Santos Lima, o King Size do Rio de Janeiro.

5) Sanduíche de mortadela da Casa da Mortadela

Dica do Gabriel Prado no último Mupoca, a Casa da Mortadela serve um excelente sanduíche de mortadela sem grandes frescuras e sem os exageros cometidos pelo pessoal do Mercado Municipal. Algumas fatias, um pouco de vinagrete e aquela sensação consequente de pertencimento ao povo custam menos de R$ 10.

6) Bolinho de camarão das barracas baianas (Praça da República)

Está aí o pior dos quitutes provados. Deveria ser incrível, ainda que o camarão fosse triturado e virasse apenas rastro na massa. Mas o bolinho veio muito encharcado em um óleo que não era dendê nem a pau. Custou R$ 5 (3 unidades), mas ficou devendo.

7) Aula de dança em frente ao Copan

Geralmente palco de apresentações divertidíssimas, a proposta do palco em frente à Love Story, neste ano, foi uma tentativa de popularizar a Zumba. Valeu pelas risadas e pelo vídeo conseguido.

8) Café Floresta

Não há melhor na cidade. É só isso.

9) Espetáculos circenses na Praça Roosevelt

Cheguei a tempo de ver na minha querida Praça Roosevelt o final de um espetáculo de trapezistas da Escola Circo Picadeiro. Circo sem animal é bem mais legal.

10) Hare burguer

Não comi, Mas achei o maior barato!

11) Sanduíche de pancetta

Comi e foi exagero tê-lo feito. Mas se eu não o fizesse, perderia o melhor quitute de toda a Virada Cultural. Carne incrível, num pão francês com picles e cebola frita. Bom demais.

Olha a cara de felicidade da criança:

Diz aí se você também não se divertiria com o meu roteiro? :)

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Sobre a guerra contra as drogas

Certo dia, discutia com um ex-colega de colégio sobre a questão das drogas. Via Facebook. Sim, você pode me perguntar por que diabos eu perdi tempo com uma discussão na Internet, mas confesso que foi até produtivo. Em torno de algumas questões, mesmo o amigo de pensamento mais à direita pode concordar com um cara “meio de esquerda” como eu.

Minha sincera opinião é que a legalização é uma solução possível para diminuir o consumo de drogas. Educação e limitação das áreas públicas para os cigarros, por exemplo, mostram-se mais eficientes para a diminuição do número de usuários do que a proibição dos ilícitos, que vendem cada vez mais.

Enquanto uns concordavam, outros viam que a migração de modalidade de quem hoje controla o tráfico não diminuiria a violência - acho exatamente o contrário: diminuiria, sim, já que menor margem significa menor poder de fogo para comprar armas. Outro argumento era o de tornarmos o uso destas drogas muito comum, a ponto de “chegarmos em casa e vermos um filho cheirando uma carreira aqui, o outro fumando unzinho acolá”, o que novamente se resolve da mesma maneira que estamos lidando com o cigarro. Palavra de um fumante que a cada dia que passa tem que procurar cantos mais escondidos para bronzear o pulmão. :)

Passava pela minha cabeça que um determinado político que fosse muito contra as drogas provavelmente estava ganhando dinheiro diretamente com este tráfico de grandes lucros (um helicóptero com meia tonelada de cocaína não lhe diz nada? E no país “agro”, do grande latifúndio, não é o pequeno produtor quem abastece o mercado, não é?). Mas escapava que há, de fato, umas indústrias ainda mais poderosas assistindo à guerra contra as drogas com sorriso nos lábios.

O documentário chamado How to Make Money Selling Drugs fala justamente sobre a lucrativa cadeia de 400 bilhões de dólares anuais que as drogas movimentam. Você não leu errado. 400 bilhões.

A proibição e a guerra ao tráfico produziu um lucrativo mercado (no caso dos EUA) de financiamento governamental para aparelhar as polícias e encarcerar os presos com penas cada vez maiores. Pode parecer bonito, mas há uma verdade inconveniente por trás disso…

Como todo mercado pressupõe um crescimento anual para continuar existindo, é necessário que existam mais traficantes presos, julgados e condenados anualmente. Oi? Não era para termos uma guerra para acabar com as drogas? Mas há tanta gente ganhando dinheiro em volta da pesada criminalização do tráfico (a começar pelo sistema prisional norteamericano que é privatizado, passando pela já famosa indústria bélica daquele país) que é necessário prender mais e mais anualmente. E como mais gente vai sendo presa, a população tem uma falsa sensação de que tudo está melhorando.

O círculo vicioso é tão pesado que transformou os Estados Unidos no recordista mundial de população carcerária. A venda de drogas não diminuiu - aumentou, na realidade. Há ainda as histórias sobre pacotes com drogas plantados pelos próprios policiais em pessoas suspeitas, gerando penas de mais de 20 anos. Faz a justiça daqui, que condenou um morador de rua que portava Pinho Sol a cinco anos de cadeia por terrorismo, parecer competente de verdade.

Não há como negar: os americanos são especialistas em eleger um vilão público comum e, assim, aprovar gastos exorbitantes sem grandes esforços. Somente o DEA (o equivalente ao Denarc, mas em nível Federal) consumiu mais de 500 bilhões de dólares - valores não corrigidos - desde que foi aberto (números da própria agência).

"Uau, com este dinheiro organizaríamos quase dez Copas do Mundo da Fifa® no Brasil". Quinhentos bilhões para enxugar gelo. Pior: nem contabilizamos o custo humano. Nem quanto dinheiro as drogas lícitas bem mais pesadas que as de uso recreativo fazem nesse mundo em que qualquer criança é diagnosticada com déficit de atenção… O sucesso da política proibicionista em relação às drogas faz até o projeto de despoluição do rio Tietê parecer competente.

E não se engane: reproduzimos aqui no Brasil o mesmo modelo, colhendo resultados bem parecidos. Como ainda acreditar que este ainda é o melhor caminho para lidarmos com a questão das drogas?

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Guia Yassuda de sobrevivência em São Paulo #002

Já anotou as dicas de nosso guia anterior? Então vamos colocar mais algumas para você se dar bem em São Paulo:

5) Fluxo e contra-fluxo

Atenção, esta é de fato uma dica importante: São Paulo opera por fluxos de pessoas, geralmente equipadas com automóveis, que se deslocam para os mesmos locais ao mesmo tempo. O paulistano desafia diariamente as leis da Física, tentando provar que todos podem ocupar a mesma avenida ao mesmo tempo.

Diferente das ondas do mar, que agradam o banhista, ou da correnteza de um rio, contra a qual é difícil nadar, o trânsito tem apenas metáfora fluida: ele é sólido feito pedra. Portanto desviar de seu fluxo é questão de sobrevivência.

Exemplos: em uma avenida com trânsito intenso e corredores livres, opte pelo ônibus. Não marque compromissos para o mesmo horário em que todos se deslocam para um mesmo ponto (sério, reunião às 9h30 da manhã na Berrini?). Se puder, faça horários alternativos (o metrô vira um grande sossego a partir das 10h da manhã e assim vai até às 16h).

Ao sair de um local com grande concentração de pessoas às 18h, não tenha pressa de ir para casa: curta o comércio local, geralmente aberto até às 20h, ou até 22h em alguns casos. Bares e restaurantes vão até bem mais tarde do que isso. E novamente: se beber, não dirija.

Gringo, don’t get stuck in the crowd. Avoid rush hours. You’re on vacations here, for God’s sake!

6) Água

Parece não haver mais jeito: não vai ter água na Copa.

Você pode fazer como Maria Antonieta e pensar que se não há água na torneira, que bebamos Perrier. Mas o buraco é mais embaixo. O problema é bem sério. Sem banhos e descargas. O caos!

A sugestão é curtir a grande extensão litorânea do Brasil. São Paulo não tem as praias mais bonitas do mundo, mas elas ficam a uma distância razoavelmente pequena (cerca de 70km), que você consegue percorrer em um tempo que varia entre uma a doze horas (ver Fluxo e contra-fluxo).

O problema é que boa parte desse litoral mais próximo não tem o que se chama de um mar limpo com água cristalina. Cuidado principalmente com os avisos de praias com água imprópria para banho.

Water: we won’t have any. Sorry.

7) Café

Café é o produto responsável por transformar uma pacata vila provinciana chamada São Paulo em, inicialmente, um grande entreposto comercial e, a partir daí, na cidade gigantesca que é hoje.

Não é à toa que chamamos o desjejum de “café da manhã”. É isso. Há café bom por aqui para dar e vender. E não me venham com essa história de que o grão bom produzido no Brasil se exporta, porque a maior parte dos gringos pode até comprar um grão bom, mas não sabe o que fazer com ele.

Portanto, tome um bom cafezinho por aí.

Coffee: Starbucks here is just another option. Try different houses!

Depois eu volto com mais dicas.

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Guia Yassuda de sobrevivência em São Paulo #001 - Edição Copa

Alô, gurizada de fora, hello, gringo. (Sim, este não é um guia para paulistanos. Esses sabem se virar tranquilamente por aqui. Ou não.)

Estando animado ou não, vai ter Copa. Também vai ter protesto, mas o fato é que a bola rola em breve nos campos da Arena Corinthians. A esta altura do campeonato, quem vem já fez os planos devidos, mas como ainda tem gente com esperanças de alugar sua própria casa por R$ 5000,00 POR DIA em Itaquera apenas pela proximidade ao estádio, achei que cabia dar algumas dicas sobre como sobreviver por aqui aos mais desavisados.

To ensure you have a great experience here, I’ll give you some advices

1) Metrô

Trata-se de um tipo de trem que vai por baixo da terra nas zonas centrais da cidade e sobre o solo ou por pontes em regiões mais afastadas. Então. Simples. Tem em diversos lugares do mundo. O daqui não é aquela maravilha em relação à demanda por transporte, mas vai dar para o gasto durante os meses de junho e julho, com certeza.

Saiba: a estação Corinthians-Itaquera possui este nome porque fica em frente a um antigo terreno cedido ao Corinthians há muitos anos, onde funcionava um centro de treinamento mambembe e hoje, veja só, foi construído o estádio novo.

Se você achar qualquer outra casa para ficar por aqui, não tem problema se ficar longe de Itaquera porque é facinho de chegar.

Subway: São Paulo’s stadium is in front of Itaquera station. There’s good options at AirBNB or similar services. If you stay around a subway station you’ll get easily to the event’s facilities.

Vista da Arena Corinthians de dentro da estação Itaquera

2) Google + Google Translate

Nem todo brasileiro fala de inglês e isso não é falta de educação. É falta de Educação. Tanto é verdade que a maioria pode até não entender outra língua, mas vai fazer de tudo em gestos e apontamentos em mapinhas para lhe passar alguma informação.

Somos tão solícitos que até tentamos traduzir alguns elementos para o inglês, julgando que alguns nomes estrangeiros por aqui são de fato noções internacionais. Mas nosso pão francês é chamado de português nos EUA. Aí complica. Fora que não dá para traduzir Frango à Passarinho ao pé da letra porque… bom… não dá.

Portanto, a dica para o gringo é: use e abuse do Google para aprender um naco de nossa cultura e do Translate para descobrir como se fala alguma coisa corriqueira.

Google and Google Translate: you may notice that English advices are shorter than Portuguese ones. That’s what you’ll find. Deal with it. We have to learn other languages and cultures to go abroad… It’s a nice gesture from you to learn some words or put this text on Translate, at least.

3) Comida

São Paulo é considerada uma das cidades com a mais rica variedade de cozinhas internacionais presentes em nosso roteiro gastronômico. Mas uma lei que durou até pouco tempo atrás tirou das ruas a clássica e cosmopolita comida de rua. Pelo menos, este erro foi desfeito.

Você pode, claro, fazer reservas para experimentar as invenções do Alex Atala no D.O.M, mas a larica se mata com sanduba de pernil, pastel, dogão, milho cozido, yakisoba do carrinho, churrasquinho grego, entre outras delícias.

Em suma, toda e qualquer comida que for vendida fora das áreas do evento pode satisfazer. Tem para todos os gostos e bolsos.

Food: try street food or popular places. Street fairs are very popular, where you can find tropical fruits, pastel and sugarcane juice. McDonald’s is also available here, but why don’t you try to immerse in our daily diet?

4) Putaria

Já quer putaria, né? As nossas red light districts são bastante identificáveis e qualquer paulistano sabe facilmente identificar e te levar para um estabelecimento do gênero. Até mesmo os taxistas, ao perceberem as suas más intenções, vão oferecer transporte até uma casa do tipo. Certifique-se sobre o tipo de sexo disponível, porque as opçòes também são bem mais diversas do que menino-menina.

Mas se você for à balada, aqui tem festa para todos os gostos. Se dirigir, não beba. Leve em consideração o item 1 deste texto: o metrô fecha entre 00h40 e 4h40.

Fornication: There are gentlemen’s clubs and there are regular nightclubs with all sort of music and people. Don’t drink and drive. Subway stays closed from 12:40am to 4:40am

Eu volto outro dia com mais dicas. Fique à vontade para dar também mais dicas aos gringos se quiser. Faria uma série sobre outra cidade, mas não seria tão fiel à verdade.

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Por mais buracos da minhoca

Recentemente, li que o Buraco da Minhoca foi legalizado como festa aqui no centro. Uma festa que começou despretensiosa, mas que se junta a outros movimentos que viabilizam um ambiente mais saudável em uma área que já foi sinônimo de degradação urbana.

Ocupar a rua é bom. Ocupar a rua é bacana. Dos protestos que marcaram 2013, sem dúvidas o sentimento de posse da rua foi uma das maiores contribuições para a população. Virada Cultural ajudava, mas acontecia uma vez por ano. O que começou na Augusta e desceu para o centro acontece todos os dias e, espero, não deve acabar tão cedo.

Concordo que o barulho desses locais pode atrapalhar por vezes o sono de quem quer descansar. Mas aqui acredito que é mais válido o barulho das festas que o silêncio e o medo de uma rua erma e mal iluminada. E, como vizinho do Buraco da Minhoca, afirmo categoricamente que a festa jamais atrapalhou meu sono. As buzinas dos automóveis que começam a ecoar às 6h da manhã e também não param na madrugada, no entanto, já acabaram com o meu dia diversas vezes. Se for pelo barulho, eu decreto: liberem a festa e proíbam os carros! :)

Uma coisa sempre me entristece quando cruzo a Praça Roosevelt às segundas-feiras: como menos bares abrem, há menos gente na rua que o habitual. É o meu novo domingo. Fico com o coração apertado, sempre torcendo pela terça-feira quando já temos o Parlapatões funcionando a pleno vapor, até às 7h da manhã do dia seguinte.

Quanto mais gente nas ruas, mais lugares iremos ocupar por aí. O que acontece na Roosevelt já poderia estar acontecendo em outros lugares, com a aprovação dos órgãos públicos. Proibir? Foi só a turma do Telhada proibir o baile funk na rua para surgirem os rolezinhos. O negócio é dialogar. E trazer as pessoas para o espaço público.

Este deve ser um caminho sem volta.

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Levantando a pauta sobre a gourmetização da vida

"Um vinho ou um restaurante diz-se gourmet quando este é de alta qualidade e está reservado a paladares mais avançados e a experiências gastronómicas mais elaboradas. Por consequência, os produtos e/ou refeições gourmet são normalmente mais caros que os seus equivalentes não gourmet."

Olha, não estou querendo bancar um especialista no assunto do que pode ou não ser chamado de gourmet, mas será que efetivamente estão vendendo algo que deveria custar mais do que a média?

Pipoca gourmet, coxinha gourmet, pastel gourmet… Será que é isso mesmo?

Ainda tenho que considerar que quando são muito numerosas as pessoas que podem ter um tratamento diferenciado, isso imediatamente se torna massivo, ou seja, foge da regra do que seria gourmet, VIP ou coisa que o valha. Já perguntei antes e a pergunta continua valendo: se todo mundo for VIP, quem é o ordinário?

São estas as questões sobre as quais discutiremos em nosso primeiro Mupoca! Confira quando ele for ao ar em mupoca.com.br.

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É interessante ver a Globo discutindo sobre uma cidade melhor

É verdade. Apesar de editoriais terríveis fazendo pouco caso das iniciativas pelo tranporte público, incluindo publicação do seu próprio seio, a Globo parece disposta a discutir caminhos interessantes para a cidade de São Paulo. Ainda que a maior parte das discussões que acontecem em eventos não vai parar no noticiário da TV, o projeto Anda SP soa como uma tentativa honesta de jornalismo.

Hoje aconteceu um seminário em parceria com a Escola Politécnica da USP e contou com a presença de Robert Cervero, da Universidade da Califórnia; Orlando Strambi, da já citada Poli; Regina Meyer, da FAU-USP; além do pesquisador Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, do Ipea; e Andrea Leal, consultora do Banco Mundial e do WRI (World Resources Institute). O seminário foi transmitido ao vivo pela Internet (uma pena que não foi deixado para quem não pôde assistir durante a manhã) e aqui eu comento algumas coisas interessantes que ouvi ali:



"É necessário desestimular o uso de carros"

Eu mesmo já venho batendo nessa tecla, mas não sou especialista. As pessoas precisam de motivos para deixar o carro em casa. E não é exatamente transformando o ônibus num transporte que seja tão confortável quanto o carro (em lugar nenhum do mundo é assim), mas sim tornando a opção do carro menos aceitável para os grandes deslocamentos pela cidade.

Desestimular o carro é, com certeza, uma medida nada popular. Dizem que o primeiro prefeito que colocar um pedágio urbano em São Paulo não se reelege, mas os exemplos trazidos pelos convidados, como Santiago, Londres e Estocolmo mostram que, mais do que aceitos, os pedágios urbanos ajudaram inclusive na popularidade dos prefeitos. Estocolmo implantou, desligou e depois perguntou à população: com ou sem? A resposta: a população aprovou o pedágio.

O paralelo traçado pelo professor da Poli entre pedágio urbano - hoje extremamente impopular - e rodízio de veículos foi interessante: ninguém gostava do rodízio, mas hoje há na cidade mais gente que admita um segundo dia de restrição do que ficar sem ele.

Deixar de estimular a venda indiscriminada de carros na Grande São Paulo também pode ser um bom começo. Como lembrou a professora da FAU, "acabamos de sair de uma década de IPI zero para automóveis. É como promover campanhas contra o fumo e, ao mesmo tempo, distribuir cigarros gratuitos".



Opções de transporte não excluem as outras

É claro que estamos num processo longo de aprendizado sobre a concepção de mobilidade em São Paulo. Cada pessoa vai querer descrever o que funciona melhor para ela, seja bicicleta, ônibus, metrô, ir a pé, táxi, etc. O que parece mais claro hoje do que já foi há alguns anos é que não pode haver investimento em um modelo em detrimento de outro. Investir em metrô é necessário? Sim. Mas ele será insuficiente se não houver alternativas.

Corredores de ônibus são mais fáceis e baratos de implantar, além de possuírem grande capacidade. Concordo que a faixa de ônibus à direita não é perfeita, mas esperar até que todos os 300km fossem feitos como um BRT (como as faixas da Rebouças e da Nove de Julho) poderia ser tempo demais para um mandato de 4 anos. Parece-me que a intenção é esta (transformar as faixas em BRT), como já começaram a fazer na Nove de Julho e estão planejando em outras grandes avenidas.

Fretados, bicicletas, carros de aluguel e esquemas de carona também são bem-vindos. Ainda sobre a questão do desestímulo ao carro, a consultora do WRI comentou sobre como pouco a pouco as empresas da região da Berrini estão mudando os estímulos aos funcionários, direcionando benefícios para aqueles que optam por modelos alternativos de transporte. Estamos falando de uma região que tem trânsito de 30 minutos para sair do estacionamento das grandes torres…



A discussão está só no começo

Sim, há muito o que fazer e discutir ainda por uma cidade que se desloque mais facilmente. Isso começa por como ela é concebida (e por isso, a importância do bastante citado Plano Diretor), passa pelos investimentos em diferentes modais de transporte e pelos incentivos para que as pessoas troquem o conforto individual.

Como eu já disse antes, já tive um carro. É óbvio que era mais confortável ficar preso no trânsito dentro dele do que num ônibus, mas hoje os deslocamentos via corredor estão muito rápidos. O metrô também opera bem fora dos horários de pico e eu não ouso atravessar uma Avenida Paulista com outro meio de transporte. Andar a pé é saudável e ainda oferece saber mais sobre a cidade e suas opções de comércio e lazer. Confesso que ainda morro de medo de andar de bike, mas com o novo deslocamento diário que pretendo fazer, talvez seja uma solução interessante. E quando bate a preguiça, sobretudo nas noites paulistanas, há sempre a opção do táxi (se você acha o táxi caro e invíável, é bom fazer as contas de quanto você gasta por ano tendo um carro).

Sei que não vou convencer alguém que isso tudo é mais confortável que um carro. Mas é bacana ver que mais e mais pessoas vão descobrindo que o deslocamento pode ser mais cômodo via outros tipos de transporte. Até mesmo gente famosa.

Estamos num bom caminho.

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Vem aí mais um podcast

Vem aí mais um podcast. E se não fosse o fato de apanharmos miseravelmente da mesa de som e das configurações do computador, já até teríamos um programa no ar hoje mesmo.

Pelo menos terminamos a noite conseguindo ajustar a maior parte das coisas. Agora é marcar nova data para começar a gravar. Achei que teria vida mais fácil, ainda mais depois das aulas do Saulo sobre como configurar todo o equipamento do Braincast. Bola pra frente.

Enquanto o programa não sai, você pode curtir nossa página: mupoca.com.br

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Golpe Militar - 50 anos

O que houve há 50 anos foi um golpe. Não foi uma revolução, como Roberto Marinho chamou até o fim de sua vida.

É importante relembrar.

Recentemente, tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a história de Argentina e Chile. O que nossos vizinhos têm em comum é a memória preservada do que aconteceu por ali. O golpe de Pinochet é relembrado como o que foi, um golpe. No dia 11 de setembro de todos os anos, há protestos para relembrar o bombardeio do La Moneda e a morte do presidente Allende. Na Argentina, as mães da Praça de Maio reúnem-se semanalmente para relembrar os anos de chumbo da ditadura argentina.

E aqui? Demoramos quase trinta anos para criar uma Comissão da Verdade. A anistia geral e irrestrita promovida pelo então presidente Figueiredo não permitiu que se investigasse a fundo o que os militares fizeram. Com isso, não sabemos a fundo um pedaço importante da formação deste país chamado Brasil.

Muitos acreditam, até hoje, que o milagre econômico realmente foi um grande mérito. As conquistas econômicas do regime militar foram exaltadas pela imprensa. Para o Brasil dos civis, restou uma ressaca severa durante os anos 80.

Se hoje as instituições democráticas parecem mais corruptíveis e problemáticas do que as da época da ditadura, não seria porque ninguém podia denunciar a corrupção durante os anos de chumbo? Ou será que a corrupção existia antes de 1964, desapareceu e foi simplesmente reinventada em 1985?

Estudar, relembrar, nunca mais deixar acontecer um erro igual. É sobre isso este 31 de março de 2014.

Veja a cronologia do golpe, organizada pela EBC.

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